Iluminação de campo de futebol: o que FIFA e Brasileirão ensinam ao projeto do seu campo
Dos grandes estádios aos campos municipais, de várzea e de clubes: entenda como escolher a iluminação para o seu campo, comparar propostas e conferir o resultado.
Imagine um goleiro acompanhando uma bola alta. Naquele momento, importa conseguir enxergar a trajetória sem perder a bola no contraste entre uma região escura e uma fonte de luz intensa.
Agora imagine quem administra o campo. Além da visibilidade durante o jogo, essa pessoa precisa saber quanto a instalação vai consumir, como será feita a manutenção e o que está incluído no investimento.
Essas duas perspectivas precisam estar no mesmo projeto.
Se você vai implantar a iluminação, modernizar os refletores ou avaliar o aproveitamento dos postes existentes, os critérios do futebol profissional ajudam a organizar a decisão. É nessa passagem entre a necessidade do campo e a especificação dos equipamentos que entra o estudo luminotécnico da Demape.
O campo pode ser menor. O rigor do projeto não.
Rigor, aqui, significa entender o uso, justificar as escolhas e definir como conferir a entrega. As exigências devem acompanhar a realidade de cada instalação.

O que significa iluminação “padrão FIFA”?
Ao receber uma proposta com a expressão “padrão FIFA”, peça três informações: qual documento foi adotado, qual categoria está sendo considerada e quais resultados serão verificados.
Sozinha, a expressão não responde a essas perguntas.
As diretrizes de estádios da FIFA, que remetem ao FIFA Lighting Guide de 2020, diferenciam categorias e necessidades de transmissão. Por isso, um número de lux isolado não demonstra adequação a todos os eventos FIFA.
A avaliação reúne critérios diferentes:
| Critério | O que precisa ficar claro |
|---|---|
| Iluminância horizontal | Quanta luz chega ao plano horizontal, como o gramado |
| Iluminância vertical | Quanta luz chega aos planos verticais definidos no projeto |
| Uniformidade | Como a iluminação se distribui pela área avaliada |
| Ofuscamento | Como as fontes de luz afetam as posições e direções de observação consideradas |
| Cor e cintilação | Quais características são necessárias para o uso e a captação de imagens |
Para quem contrata, a utilidade dessa referência está na precisão: saber o que a proposta promete e como essa promessa será conferida.
Os limites devem ser confirmados nos documentos aplicáveis à competição e à instalação. Usar esses critérios em um estudo não equivale a obter certificação FIFA.
E o que o Brasileirão exige?
No Regulamento Específico do Brasileirão Série A de 2026, artigo 21, a CBF determina iluminação adequada a partidas noturnas e transmissões. O texto recomenda o nível mínimo de 1.300 lux com uniformidade de 0,6 na vertical e remete aos requisitos mínimos de qualidade das diretrizes da CBF.
A palavra vertical muda a leitura do número.
Iluminância horizontal avalia a luz incidente em um plano horizontal. Iluminância vertical avalia planos verticais, importantes para representar jogadores e bola nas imagens das câmeras.
| Plano horizontal | Plano vertical |
|---|---|
| Luz ↓ sobre o gramado | Luz → sobre um plano em pé |
| Avalia a incidência na superfície horizontal | Avalia a incidência na orientação vertical definida |
| Ajuda a analisar a área de jogo | Importa para a representação de jogadores e bola pelas câmeras |
Esquema conceitual. Não representa a geometria de uma instalação nem substitui a malha de cálculo.
Uma proposta que informa apenas “1.300 lux” ainda deixa uma dúvida essencial: esse valor foi calculado ou medido em qual plano?
Antes de comparar os números de dois orçamentos, confira se eles descrevem a mesma coisa.
Um campo municipal precisa ter a mesma iluminação de um grande estádio?
Não necessariamente. O ponto de partida é o uso previsto.
O campo receberá atividades comunitárias? Treinamentos? Competições? Haverá filmagem ou transmissão? Essas respostas orientam a escolha dos critérios.
A própria FIFA recomenda adequar a solução à escala da instalação e aos eventos que ela receberá. Configurações mais simples podem atender instalações sem partidas televisionadas, preservando os requisitos pertinentes de iluminação, uniformidade e controle do ofuscamento.
Essa distinção ajuda a evitar dois problemas: contratar uma estrutura além da necessidade ou descobrir, depois da instalação, que faltam condições para o uso pretendido.
A EN 12193:2018, referência europeia de iluminação esportiva, também organiza requisitos por aplicação. Sua adoção no Brasil deve ser definida no projeto; não é uma obrigação brasileira automática.
Para responder “quantos lux meu campo precisa?”, o estudo deve registrar modalidade, nível de uso, referência técnica, categoria e eventuais necessidades de transmissão.
Um campo de várzea merece uma decisão bem fundamentada tanto quanto uma grande arena. O que muda são as necessidades que o projeto precisa atender.
Por que a média de lux não conta a história inteira?
Imagine dois orçamentos que prometem a mesma iluminância média. Isso significa que entregarão a mesma distribuição de luz?
Não.
Uma média pode esconder diferenças importantes entre regiões do campo. A uniformidade ajuda a avaliar essa distribuição.
Uma das relações utilizadas é:
Uniformidade mínimo/média = menor iluminância ÷ iluminância média.
No guia da UEFA de 2023, essa relação é chamada de U2. A relação entre mínimo e máximo é U1. Por isso, nome e fórmula precisam acompanhar o indicador.
Veja um exemplo aritmético hipotético:
| Indicador | Situação A | Situação B |
|---|---|---|
| Iluminância média | 200 lux | 200 lux |
| Iluminância mínima | 40 lux | 140 lux |
| Relação mínimo/média | 0,20 | 0,70 |
Na situação B, o ponto menos iluminado está mais próximo da média. As duas situações têm “200 lux médios”, mas esse número sozinho não revela a diferença.
O exemplo não representa obra ou simulação da Demape. Também não aprova integralmente a situação B nem recomenda 200 lux para qualquer campo.
O que pedir ao comparar propostas
Solicite a iluminância média, a mínima, a uniformidade, a malha de cálculo e os critérios utilizados.
Assim, você consegue avaliar uma pergunta mais útil:
A proposta demonstra a iluminação necessária em toda a área de jogo?
Iluminar bem também significa controlar o ofuscamento
Se os jogadores relatam dificuldade para olhar em determinada direção, acrescentar refletores pode não resolver o problema.
Um equipamento pode iluminar o gramado e, ao mesmo tempo, causar desconforto a quem olha para ele.
A CIE, Comissão Internacional de Iluminação, relaciona o ofuscamento à distribuição luminosa, ao direcionamento, à quantidade, à disposição e à altura dos equipamentos.
Seu método para áreas esportivas externas considera posições e direções de observação específicas, com validade restrita a direções de visão abaixo do nível dos olhos. Esse indicador, portanto, não esgota a análise de um jogador acompanhando uma bola alta.
Antes de aumentar a potência, o projeto deve investigar óptica, posição e orientação dos refletores.
Também precisa considerar o entorno. Em um campo próximo a residências, a luz que ultrapassa a área de jogo merece atenção desde o planejamento. A CIE 150:2017 trata desses efeitos da luz intrusiva.
O resultado deve ser avaliado a partir de quem joga, acompanha a partida e convive com a instalação.
O que muda quando o campo terá filmagens ou transmissão?
Se o clube pretende transmitir partidas pela internet, essa intenção deve entrar na conversa antes do dimensionamento.
A câmera precisa representar jogadores, uniformes e bola em movimento. Aumentar apenas a iluminação do gramado não resolve todas essas necessidades.
A CIE 083:2019, dedicada a eventos esportivos para televisão e filmagem, aborda iluminância vertical, uniformidade, cintilação, temperatura de cor e reprodução de cores.
A cintilação, também chamada de flicker, corresponde a variações da luz ao longo do tempo. Elas podem aparecer nas imagens, especialmente em determinadas condições de câmera lenta. A UEFA explica que o efeito depende da modulação da iluminação, da frequência de alimentação e da taxa de quadros da câmera.
Uma transmissão local não exige automaticamente a mesma especificação de um grande evento internacional. Precisa, porém, ser considerada no planejamento.
Vale o mesmo cuidado com a aparência da luz: parecer “mais branca” não comprova qualidade para transmissão. Temperatura de cor, reprodução de cores e cintilação são características diferentes.
Quantos refletores são necessários para um campo de futebol?
A quantidade deve resultar do estudo das condições do campo e do desempenho pretendido.
Dimensões e potência ajudam a descrever o problema, mas não bastam para resolvê-lo. Também entram na análise a distribuição luminosa dos equipamentos, suas ópticas, posições, alturas e direcionamentos.
As diretrizes da FIFA destacam a influência da geometria da instalação e da posição dos projetores sobre iluminância, uniformidade, sombras e conforto visual.
Por isso, comparar um refletor de 400 W com outro de 600 W exige verificar o resultado de cada configuração no campo.
O estudo luminotécnico utiliza arquivos fotométricos, como IES ou LDT, correspondentes aos equipamentos avaliados. Eles descrevem a distribuição luminosa usada nos cálculos.
A Demape utiliza esse processo nos projetos luminotécnicos esportivos para definir quantidade, potência, óptica e posicionamento dos projetores.
Para quem está organizando o investimento, uma estimativa inicial pode ajudar no orçamento. A definição final depende do dimensionamento e das verificações pertinentes.
Antes de fechar a lista de equipamentos, peça a demonstração do resultado previsto. Conheça também a linha de projetores e refletores LED.
Qual deve ser a altura dos postes? É possível aproveitar os existentes?
Se o campo já tem postes, vale avaliar o que pode ser aproveitado antes de definir a compra.
Não existe uma altura única adequada a todas as instalações. Altura, afastamento e posição precisam ser analisados em conjunto com os projetores e seus direcionamentos.
O levantamento deve reunir as posições, alturas, condições de fixação e informações disponíveis sobre a instalação. A análise luminotécnica verifica possibilidades de iluminação; segurança estrutural e elétrica exigem avaliações próprias.
Em um campo com apenas dois postes laterais, por exemplo, aumentar a potência não basta para garantir uma solução. Primeiro, é necessário conhecer as limitações dessa configuração.
Para o gestor, a análise deve tornar a decisão mais clara:
- O que pode ser aproveitado?
- O que precisa mudar?
- Quais resultados cada alternativa permite buscar?
- Quais verificações complementares serão necessárias?
Reutilizar estruturas deve ser uma decisão fundamentada, com seus limites conhecidos antes da contratação.
Quanto custa iluminar um campo de futebol?
O preço dos refletores é uma parte do investimento. Para comparar propostas, separe implantação, operação e manutenção.
Implantação: o que está incluído?
Confira se a proposta contempla projetores, suportes, postes, fundações, infraestrutura elétrica, instalação, estudos e verificações.
Duas propostas com preços diferentes podem oferecer escopos diferentes. Antes de concluir qual custa menos, coloque as responsabilidades lado a lado.
Essa comparação também permite identificar itens que ainda precisarão ser contratados.
Operação: quanto o conjunto consumirá?
Uma estimativa básica relaciona a potência elétrica ao tempo de funcionamento:
Consumo em kWh = potência total em kW × horas de uso.
Como exemplo exclusivamente ilustrativo, 24 projetores com potência de entrada de 500 W cada totalizam 12 kW. Funcionando quatro horas por dia, durante 26 dias do mês, consumiriam:
12 × 4 × 26 = 1.248 kWh por mês.
Esse cálculo não dimensiona o campo nem representa um produto ou projeto específico. Também não inclui eventuais consumos auxiliares ou perdas externas ao conjunto considerado.
Para estimar o custo da energia, é necessário aplicar as condições tarifárias pertinentes.
Compare consumo entre soluções que atendam ao desempenho necessário. Uma conta menor, acompanhada de iluminação insuficiente em parte do campo, não resolve a necessidade da instalação.
Manutenção: como preservar o resultado?
Preveja acesso aos equipamentos, limpeza, inspeções e substituições.
A ISO/CIE TS 22012:2019 organiza a determinação do fator de manutenção, considerando características dos equipamentos e efeitos do ambiente, como o acúmulo de sujeira.
Esse fator incorpora hipóteses sobre a redução da iluminação ao longo do uso. Por isso, a expressão “LED de longa vida útil” não substitui a explicação das premissas e dos cuidados necessários.
Na entrega, peça orientações sobre os componentes instalados, a preservação dos direcionamentos, as verificações previstas e as responsabilidades contratadas.
Quem administra o campo precisa saber como cuidar da instalação depois da inauguração.
Como conferir se a iluminação instalada corresponde ao projeto?
Defina os critérios de aceitação antes de contratar. Isso torna claro o que será verificado na entrega.
A simulação representa a instalação modelada. A medição avalia a instalação executada.
A CIE 067:1986 estabelece procedimentos de cálculo, medição e apresentação de resultados para comparar alternativas e relacionar o projeto às medições em campo.
No processo de testes do programa de qualidade da FIFA, também há validação do desempenho modelado e testes no local após a instalação, realizados por instituto acreditado.
Para campos municipais e clubes, a aplicação prática é estabelecer o procedimento de verificação adequado ao escopo. O relatório deve identificar condições do ensaio, instrumentos e resultados pertinentes.
Uma fotografia noturna documenta a aparência, mas não comprova sozinha esses indicadores. Uma leitura isolada no centro do campo também não substitui a avaliação distribuída prevista no procedimento adotado.
Referência técnica não é certificação
Um cálculo baseado em critérios FIFA não equivale a uma certificação FIFA.
A entidade esclarece que a certificação se aplica às instalações que cumprem o processo do programa e passam pelos testes exigidos. A aprovação documental de um produto não certifica, por si só, esse produto.
Ao receber uma alegação de conformidade ou certificação, confira exatamente a que ela se refere e qual documento a comprova.
Antes de contratar: dez perguntas para comparar propostas
Use este roteiro da Demape para organizar a conversa com fornecedores e responsáveis técnicos:
- Qual uso foi considerado? Recreação, treinamento, competição e transmissão precisam estar identificados.
- Qual referência técnica foi adotada? Peça documento, edição e categoria.
- Quais resultados estão previstos? Confira os indicadores pertinentes, além dos lux médios.
- Quais dados reais do campo entraram no cálculo? Dimensões, postes, alturas, obstáculos e entorno.
- A fotometria corresponde ao equipamento ofertado? Modelo, óptica, potência e configuração devem ser compatíveis com o estudo.
- Onde os refletores serão instalados e para onde serão direcionados? A orientação deve integrar a solução.
- O que pode ser aproveitado? Identifique também as avaliações estruturais e elétricas necessárias.
- O que está incluído no preço? Separe estudos, equipamentos, estruturas, instalação e medições.
- Como o desempenho será preservado? Confira premissas e necessidades de manutenção.
- Como a entrega será verificada? Conheça o critério de aceitação antes de fechar a contratação.
Você não precisa dominar todos esses termos para iniciar a conversa. O roteiro ajuda a reconhecer quais respostas precisam aparecer antes da decisão.
Como a Demape pode participar do projeto do seu campo
A necessidade pode começar de formas diferentes: um município precisa preparar uma especificação; um clube quer modernizar a iluminação; um integrador já tem um projeto e precisa selecionar os equipamentos.
A Demape desenvolve projetos luminotécnicos para instalações esportivas, tanto em estudos independentes quanto associados ao fornecimento de equipamentos.
Conforme o escopo contratado, o trabalho pode reunir definição de critérios, simulação, análise de resultados, posicionamento e especificação dos projetores.
A empresa também registra aplicações de seus equipamentos em espaços esportivos. Na Arena Inoã, em Maricá, no Rio de Janeiro, forneceu projetores LED em parceria com a construtora responsável pelo projeto de uma instalação de basquete.
Esse caso demonstra uma aplicação esportiva dos equipamentos. Não comprova atendimento a requisitos FIFA ou do Brasileirão.
Em cada contratação, a proposta deve esclarecer o que está incluído: estudo luminotécnico, projetos complementares, avaliação de estruturas, fornecimento, instalação e medições têm responsabilidades próprias.
Para quem compra, o valor do estudo está em ter uma base para decidir: quais equipamentos usar, onde posicioná-los e quais resultados a configuração permite prever.
Do estádio ao seu campo: o que vale a pena levar
Os critérios do futebol profissional ajudam a fazer perguntas melhores sobre qualquer campo:
Qual iluminação é necessária? Como ela será distribuída? O que pode ser aproveitado? Quanto custará operar? Como conferir a entrega?
A recomendação da Demape é começar por essas respostas. Elas orientam a escolha dos equipamentos e a comparação dos investimentos.
Comprar certo é definir o resultado antes dos equipamentos. Entregar certo é executar e verificar o que foi contratado. Sustentar certo é planejar a operação e a manutenção.
Seu campo não precisa receber uma Copa do Mundo para merecer um projeto bem feito.
Vai implantar ou modernizar a iluminação de um campo municipal, de várzea, society ou de clube? Converse com a Demape sobre o seu campo.
Conte onde ele fica e como será usado. Se já tiver dimensões, fotos, informações dos postes, projeto ou edital, envie também. Esses materiais ajudam a contextualizar a conversa; o dimensionamento dependerá dos dados e levantamentos necessários à instalação.
O campo pode ser menor. O rigor do projeto não.
Referências técnicas identificadas pela edição ao longo do texto. A preparação anterior consultou as fontes em 29 de outubro de 2026; esta rodada revisou a redação. Para CIE e ISO/CIE, foram utilizados os resumos públicos dos editores. Os requisitos aplicáveis devem ser confirmados nos documentos integrais pertinentes à modalidade, à competição e ao escopo de cada projeto.
